- Sabe que pode contar comigo sempre - ela disse sorrindo - Harry de novo? - ela perguntou e eu assenti sentindo meus olhos marejarem - Eu juro que ainda vou bater nesse moleque - ela diz bufando - Mas me conta o que aconteceu
- Toni me levou para caminhar um pouco no parque e por ironia do destino ele me levou até a casa na arvore - disse
- A casinha que não é mais virgem? - ela perguntou rindo
- Essa mesmo - ri - Eu me senti mal por estar lá, foi onde eu e Harry nos reconciliamos e você sabe. E estar lá me trás lembranças de tudo que aconteceu e me faz mal, sabe? - ela assentiu - Eu queria ir embora, mas também não podia simplesmente pedir para Toni me levar embora sem contar o por que...
- Você contou para ele? - perguntou me interrompendo
- Não... - respirei fundo - Ele me beijou...
- O que? Sortuda! Ele beija bem? Ele tem pegada? - Angel solta varias perguntas. Ri do seu desespero
- Sim ele beija bem - ri e fechei a cara
- E o que aconteceu depois? - perguntou
- O Harry estava na casinha e nos viu - mordi meu lábio inferior. Angel abriu a boca surpresa.
- Bem feito. Idiota! - murmurou
- E ele ainda fez ceninhas de ciúmes - bufei irritada
- Isso já é de mais. Ele te traiu e agora você não pode beijar ninguém sendo que vocês não estão juntos? Agora que eu bato nele - disse com raiva
- Se eu soubesse que me machucaria assim, nunca teria transado com o Harry. Gostaria de poder voltar no tempo e mudar tudo...
- O que? - escutei alguém gritar atrás da porta. Eu e Angel arregalamos os olhos surpresas ao ver meu pai entrar em meu quarto - Você transou com aquele... Aquele... desgraçado? - papai perguntou bufando de raiva
- Não pai! Você entendeu errado... - tentei explicar mas não sei mentir
- Entendi errado uma ova. Eu ouvi muito bem você dizendo "Nunca teria transado com o Harry" - gritou. Pela primeira vez na vida fiquei com medo de meu pai. Nunca o vi com tanta raiva, seu rosto está até vermelho - Não acredito que te criei e te eduquei a sua vida inteira para você fazer isso, abrir as pernas para o primeiro marginal que aparecer - Sentei algumas lágrimas caírem, ele está insinuando que eu sou uma puta?
- Ele não é um marginal e se eu "abri as pernas" para ele é porque eu gosto dele - falei com raiva, controlando-me para não gritar e piorar a situação
- E ele gosta de você? - fiquei em silêncio pois não tinha o que responder - Eu pensei que ele era uma pessoa boa. Mas não, ele se aproveitou da sua inocência...
- Inocência? Que inocência? Eu não sou mais uma garotinha que não entende de nada e se eu transei com ele é porque eu quis tá legal? - gritei com raiva
- Abaixa o tom de voz para falar comigo. Acha que está falando com quem? - ele gritou apontando o dedo indicador para mim. Mesmo negando, no fundo eu sei que meu pai está certo, mas não suporto que me contrariem e muito menos que ele fale mal do Harry, sendo que ele nem está aqui para se defender - Eu não quero ver você mais com ele. Ta me ouvindo? E se eu ver você novamente com esse moleque eu arrebento a cara dele e te troco de escola - ele disse agora com o tom de voz mais baixo, mas mesmo assim senti meu corpo estremecer de medo. Meu pai pode ser bem calmo, mas quando fica com raiva nunca se sabe o que ele pode fazer.
- Você não vai me proibir de ver ninguém...
- Que gritaria é essa? - minha mãe entrou em meu quarto assustada
- Você sabia que nossa filha agora abre as pernas para marginal? - papai perguntou para ela
- Que? Você está falando do Harry? - ela pergunta confusa
- Ah você já sabia e não me falou nada? - ele pergunta com raiva
- Não falei nada porque sabia que você ficaria assim. E Harry não é nenhum marginal, eu conheci ele e ele é muito gente boa - olhei confusa para ela - Eu encontrei com ele semana passada e me perguntou por você Annie
- Perguntou? - perguntei sussurrando surpresa
- Sim. E sinceramente ele parece gostar de você Annie - mamãe falou com o tom de voz doce e calma. Neguei balançando a cabeça - Sim querida! Não sei o que houve entre vocês para não estarem juntos mas ele parecia arrependido não sei...
- Gosta nada. Ele só quer uma coisa dela...
- Chega Nicholas - mamãe o interrompeu gritando - Vamos. Angel é melhor você ir embora, está ficando escuro e é perigoso andar sozinha a essa hora
- Já estou indo tia - Angel diz sorrindo fraco
Os dois saíram do quarto, deixando Angel e eu sozinhas. Suspirei e sentei em minha cama.
- Você sabe que eu estou morrendo de raiva do Harry pelo o que ele fez, mas sua mãe tem razão Annie. Se ele não gostasse de você não estaria o tempo todo atrás de você... - ela disse e me abraçou - Tenho que ir, realmente está ficando tarde, qualquer coisa me liga!
- Okay. Obrigada! - disse e Angel sorriu. Acompanhei Angel até a porta e subi novamente para o meu quarto.
Olho para meu celular jogado em cima da minha cama. Penso no que mamãe e Angel disseram. E se elas estiverem certa? E se ele estiver mesmo arrependido como elas dizem? Preciso tirar essa duvida o mais rápido possivel se não vou enlouquecer. Pego meu celular e digito o numero de Harry e penso algumas vezes até finalmente clicar em ligar. Depois de alguns toque ele atende
Ligação On
- Annie? - Harry pergunta surpreso. Sinto meu coração acelerar ao ouvir sua voz rouca
- Oi... Ér, Harry - respiro fundo - podemos conversar?
- Claro - ele diz ainda surpreso - Quer que eu vá ai?
- Não! - digo rapidamente - Se meu pai te ver aqui ele te mata
- Por que? - ele pergunta confuso
- Depois de conto
- Tudo bem. Então você vem aqui?
- Pode ser. Daqui meia hora estou aí. Tchau
- Okay. Tchau! - ele diz e eu encerro a chamada
Ligação Off
Coloco meu celular em meu bolso traseiro. Passo em frente ao quarto de meus pais e vejo a porta fechada. Ótimo, meu pai já foi dormir - ele trabalha a noite e dorme um pouco antes de ir. Desço as escadas e encontro mamãe sentada no sofá assistindo novela.
- Mãe - a chamei e a mesma olhou para mim - Eu vou à casa do Harry... Não vou fazer nada de mais, não se preocupe, só quero tirar uma duvida... - digo receosa
- Tudo bem querida, pode ir. Só tente voltar antes de seu pai acordar - concordo e saio de casa.
Após longos minutos chego à casa de Harry. Toco a campainha e segundos depois ele abre a porta.
- Oi! Entra – ele diz e eu sorri e entro em sua casa – Está tudo bem? – ele pergunta com preocupação na voz
- Mais ou menos – respondo me sentando no sofá ao lado de Harry – Meu pai ouviu a Angel e eu conversando e descobriu que nós... Bem, ér... Que nós transamos – gesticulei com a mão nervosa – Agora ele tá puto da cara comigo e me ameaçou trocar de escola se ele me vir com você. Mas eu não vim aqui para isso... Eu só quero saber uma coisa... – mordo meu lábio inferior
- O que? – ele pergunta visivelmente nervoso
- Seja sincero comigo, por favor – peço e ele assente – O que... O que você sente por mim? Eu quero a verdade, essa duvida vive me atormentando e não consigo dormir em paz – praticamente imploro pela verdade.
- Olha eu vou ser sincero com você, no começo eu só queria diversão, era apenas desejo e nada mais – senti um aperto em meu coração ao ouvi-lo – Mas as coisas mudaram, era para ser só sexo... Você não saia dos meus pensamentos, estava ficando louco e por isso que eu também estava com a Laura e eu me arrependo disso, não queria machucar você... Desculpa-me Annie – ele pede sussurrando
Devo acreditar nele? Meu coração diz que sim, mas
minha cabeça diz que não e não sei o que fazer. Seria burrada acreditar nele
mais uma vez? Seria o certo acreditar nele? E se ele me mentir de novo? Algo
dentro de mim diz que devo correr o risco e perdoa-lo.
- Eu já te perdoei Harry... – murmuro e ele me
olha surpreso – Mesmo te ignorando esse tempo todo, no fundo eu já tinha te
perdoado, mas estava com medo...
- Medo do que? – ele me encara
- Medo de te perdoar e você voltar a me
machucar... – respondo em um fio de voz quase inaudível.
- Minha intenção nunca foi te machucar Annie. Não
posso te prometer que não vou voltar a fazê-lo, mas posso prometer-te que vou
tentar ser alguém melhor para você – ele coloca sua mão direita em minha
bochecha acariciando-me. Coloco minha mão por cima da sua, acariciando a costa
de sua mão.
- Por alguma razão desconhecível eu acredito em
você, mas não sei se é o certo... – digo fitando seus olhos verdes
- Por quê? – ele pergunta e posso ver certa magoa
em seus olhos
- Não sei... Eu preciso de tempo para pensar. E
não sei se vai dar certo ainda mais agora que meu pai sabe... Ele acha que eu
sou uma puta e que na primeira oportunidade que tive abri as pernas para você –
disse. Senti uma dor em meu peito ao lembrar-me das palavras de meu pai. Doeram
mais que um tapa na cara... Eu esperava que meu pai me apoiasse e não que me
julgasse.
- Como ele pode pensar isso da própria filha? Ele
até pode falar mal de mim, mas de você, que é filha dele?
– Harry balançou a
cabeça negativamente
- Eu sei... Aquelas palavras doeram mais que um
tapa – disse e senti uma lagrima escorrer pelo canto de meu olho direito. Harry
ao vê-la tratou de enxugá-la. Sorri fraco e deitei minha cabeça eu seu peito e
Harry passou seus braços em torno de mim, me abraçando acolhedoramente – Por
sorte, minha mãe está do meu lado e gosta de você – o senti sorrir e
automaticamente sorri.
- Como senti falta de você pequena! – ele diz me apertando no abraço
- Por favor, não me decepcione mais – peço olhando
em seus olhos
- Não vou – ele diz e aproxima seu rosto do meu e
com seu dedo polegar acaricia levemente meus lábios.
Fecho meus olhos e sinto
seus lábios nos meus. Sinto meu corpo estremecer da cabeça aos pés, como se eu
tivesse uma corrente elétrica dentro de mim. Abro minha boca e a língua de
Harry invade minha boca. Suspiro ao senti sua língua na minha. Só Deus sabe o
quanto senti falta de seus beijos e abraços. Envolvo seu pescoço com minhas
mãos e acaricio levemente seu pescoço e puxo fracamente seu cabelo. Harry
segura em minha cintura e me puxa para sentar em seu colo. Passo minhas mãos
por seu cabelo os bagunçando. Entre o beijo, solto um pequeno gemido ao sentir
minha intimidade sobre o seu membro. Terminamos o beijo com um selinho, mas não
me separo de Harry. Encosto minha testa na sua ainda de olhos fechados.
Eu amo a Harry, mas até ontem eu o odiava. Não
entendo como podemos amar e odiar uma pessoa ao mesmo tempo. Existe o amor sem ódio?
Existe o ódio sem amor? Amar é preciso, depende, surpreende. Amar é aceitar que
somos incompletos. Amor e ódio, essa é a dinâmica do amor. Amor é executado
limites, confunde-se com o ódio. Em nome do amor, justificar nada e aceitar
qualquer coisa.
To be continued...
#SexyBitch